Produtores rurais pedem suspensão de demarcação de terras

Na tarde desta terça-feira (1º) uma audiência foi realizada com o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo juntamente com vários representantes dos produtores rurais de Una, Buerarema e Ilhéus para tratar do conflito de terras indígenas do Sul da Bahia. A senadora Lídice da Mata e alguns deputados federais participaram do encontro.

Produtores e governantes debateram sobre a demarcação de terras / Foto: Divulgação
Produtores e governantes debateram sobre a demarcação de terras / Foto: Divulgação

Na região Sul da Bahia, onde a Funai elaborou um relatório, contestado pelo produtores, demarcando uma área de 47 mil hectares para os tupinambás, já ocorreram cerca de 100 invasões e ocupações de terras de pequenos proprietários por parte de indígenas. Produtores relataram ao ministro Cardozo que grupos armados atacaram as propriedades, golpearam agricultores, agrediram moradores e destruíram casas e instalações.

A chegada da Força Nacional de Segurança na região não apaziguou o conflito. “Neste processo insisti que o Governo Federal deve assumir a liderança na solução do conflito”, afirmou Simões.

Na reunião, que durou mais de 3 horas, os agricultores apresentaram farta documentação comprovando que a região é ocupada por agricultores desde 1850 e que se encontram na área em disputa, mais de 20.000 produtores. São pequenas propriedades, a maioria delas legalizadas há décadas e contribuindo para a economia local e sustentação da população regional.

O Ministro José Eduardo Cardozo se sensibilizou pelas exposições dos participantes e solicitou a documentação como comprovante da situação, solicitando à sua assessoria que recolhesse todas as informações para orientar as decisões do Governo Federal. “A suspensão imediata do processo de demarcação é fundamental para tranquilizar os produtores. Seguirei trabalhando para a revogação do processo de demarcação da FUNAI, que está cheio de irregularidades”, ressaltou o deputado.

José Eduardo também manifestou sua disposição em atuar para o entendimento de todas as partes envolvidas, promovendo uma reunião onde participem o Governo Federal, o Governo Estadual, Ministério Público, Funai, Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, Agricultores, Lideranças indígenas, autoridades locais e demais segmentos envolvidos e diretamente interessados, para buscar, através de uma mesa de negociação. Na busca de uma solução que garanta a paz e o interesse da região Sul da Bahia.

Deputados se reúnem em Buerarema e conversam com produtores

Deputados se reúnem em Buerarema / Foto: Macuco News
Deputados se reúnem em Buerarema / Foto: Macuco News

Nesta quinta-feira (5) os seis deputados estaduais da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa juntamente com o federal Geraldo Simões participaram de uma audiência em Itabuna para discutir sobre os conflitos que vem ocorrendo em Buerarema. Em seguida eles seguiram para o município em discussão para conversar com os produtores rurais.

No plenário da Câmara de Vereadores de Buerarema houve pronunciamentos de agricultores, deputados, do prefeito Guima Barreto (PDT) e da promotora Mayana Ribeiro, entre outros. Um dos produtores exibiu marca que seria de tiro recebido durante o conflito. Em outro momento, uma agricultora desmaiou após um discurso emocionante para todos os presentes.

O presidente da comissão, Timóteo Brito, fez seu pronunciamento mostrando preocupação diante dos acontecimentos na região: “Viemos aqui para ouvir cada um dos agricultores! Temos noção dos conflitos e o governo deve tomar uma providência enérgica! Sabemos que em nossa Bahia existem várias raças! Diante disso, o que vemos aqui são pessoas que se dizem índios, mas vimos funcionário público municipal se dizendo índio!”, relata.

Quem também esteve presente nos dois encontros foi o vereador ilheense Alisson Mendonça. Ele recebeu a denúncia de que um servidor da Secretaria de Transportes e Trânsito de Ilhéus estaria infiltrado entre os tupinambás.

Ao final do debate, o deputado estadual Augusto Castro (PSDB) sugeriu a realização de uma sessão especial na Assembleia Legislativa no dia 23 de setembro reunindo também parlamentares da bancada baiana no Congresso. A proposta foi acompanhada pelo deputado Rosemberg Pinto (PT) e aprovada pelos demais integrantes da Comissão de Direitos Humanos. Segundo Augusto Castro, serão convidados representantes de agricultores, índios, Funai, Ministério Público Federal e Estadual, Ministério da Justiça, Governo do Estado, Polícias Federal, Civil e Militar.

Os índios não participaram da reunião.

Informações: Pimenta e Macuco News

Buerarema: Conflitos entre índios e produtores rurais continuam

Manifestantes atearam fogo em casas / Imagem: Macuco News
Manifestantes atearam fogo em casas / Imagem: Macuco News

Os conflitos entre índios e produtores rurais de Buerarema continuam. Na tarde deste sábado (24) um grupo de índios tupinambás armados com fuzis circulou pelas ruas do centro da cidade, assustando a população. Em defesa, os produtores rurais tentaram enfrentar os índios mas foram impedidos pela polícia. Revoltados, os manifestantes atearam fogo em oito casas que pertenciam aos índios. Os móveis foram retirados e queimados do lado de fora de algumas casas e houve ainda saqueamento e depredação em uma loja porque, segundo testemunhas, o dono do estabelecimento vendia material de construção para os índios.

De acordo com a polícia, uma agência dos correios foi depredada e a Cesta do Povo saqueada. Os policiais usaram spray de pimenta para dispersar os manifestantes. Ainda durante a tarde, algumas pessoas foram presas e trazidas para Itabuna.

Força Nacional

Para controlar os manifestos, homens da força nacional chegaram na cidade na noite do domingo (18). “Estamos definindo como será a atuação. Não posso informar a quantidade de policiais, mas afirmo que trata-se de um efetivo reforçado”, diz Mário Lima, delegado chefe da Polícia Federal.

De acordo com o delegado, o principal objetivo do reforço no policiamento da região é evitar que ocorram novos atos de violência por conta do conflito entre indígenas e fazendeiros. “A gente não tem indicativo de novos protestos, o patrulhamento é para que não haja mais violência em ambos os lados, para garantir o processo de paz na região. Posteriormente devem ocorrer ações de reintegração de posse e atuação junto à Funai [Fundação Nacional do índio]”, explica Mário Lima.

O delegado destaca que o policiamento na região sul do estado conta ainda com o apoio da Polícia Militar, que atua com a Companhia Independente de Policiamento Especializado (CIPE) Cacaueira. Não há previsão de quanto tempo a Força Nacional vai ficar na Bahia. “Por enquanto podemos afirmar que vão ficar enquanto permanecer o problema”, conclui o delegado da PF.

Informações: G1

Produtores acampam em frente a Prefeitura de Buerarema

Várias barracas foram armadas na porta da Prefeitura. / Foto: Macuco News
Várias barracas foram armadas na porta da Prefeitura. / Foto: Macuco News

Na manhã desta quarta-feira (21) os produtores de Buerarema montaram barracas na porta da prefeitura como forma de protesto e afirmam que só sairão de lá após uma solução ser apresentada.

Aderindo ao movimento dos produtores de Buerarema, fazendeiros de São José da Vitória também fecharam a BR-101 por cerca de 8 horas na terça-feira (20) e atearam fogo em dois carros oficiais dos governos estadual e federal.

Desde a semana que o clima na região está tenso após supostos índios tupinambás invadirem fazendas de produtores de Buerarema. Grandes manifestações com vandalismo tem marcado os últimos dias.

Produtores de Buerarema relatam sua versão dos fatos

Produtores relatam sua versão.
Produtores relatam sua versão.

Em entrevista exclusiva ao Blog do Tom, produtores rurais de Buerarema relataram sobre o abuso dos supostos índios tupinambás na tentativa de retomada de terras na região. Na última quarta-feira (14) produtores foram atacados e perderam cerca de R$ 13 mil em mercadorias e dinheiro, levados por um bando que se identificava como tupinambá. Leia mais…