Dificuldades para marcação de exame pelo SUS

As pessoas que necessitam dos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Itabuna vem enfrentando diversas dificuldades, tendo em vista que faltam materiais, médicos, medicamentos e até mesmo equipamentos básicos. Segundo a população que utiliza os serviços do SUS, os problemas continuam mesmo após as mudanças ocorridas nos setores da administração pública municipal, proposta pelo prefeito Claudevane Leite.

Várias pessoas reclamam pela demora de marcação de exames, que chegam a esperar por meses para uma marcação ser feita. Pessoas também, muitas vezes idosos e de outras cidades, dormem de madrugada na fila para poder garantir a senha de atendimento, que não rende para todos.

Há uma desorganização muito grande por parte da Secretaria de Saúde, que um dia já foi melhor. É preciso regularizar toda a situação do município e priorizar as necessidades das pessoas que dependem do SUS. Pacientes esperam por horas em recepção de hospitais aguardando atendimento no pronto-socorro. Desse jeito não tem como a cidade desenvolver.

Atualização:

Moradores informam que os postos dos bairros Vilas das Dores e João Soares, entre outros, estão sem médicos. Famílias carentes estão sem atendimentos por falta de médicos em postos de saúde.

Avançar na reconstrucão da saúde de Itabuna, ou executar eternamente o trabalho de Sisifo? Eis a questão

Uma das histórias mais interessantes que já li, na mitologia grega, foi a de Sísifo.

Sísifo, filho de um rei, era considerado um dos mortais mais astutos, mas desobedeceu as determinações de Zeus.
 Sem perdão, ele foi condenado, após sua morte, a rolar uma pedra enorme de mármore, por toda a eternidade. Essa pedra teria que ser rolada até o cume de uma montanha, mas sempre que Sísifo estava quase alcançando o topo, a pedra rolava montanha abaixo. Esse trabalho inútil e penoso passou a ser chamado de “trabalho de Sísifo”.

Após longo período de perda do comando único da gestão da saúde de Itabuna (também chamada de gestão plena), alguns desejam colocá-la numa encruzilhada: avançar na reconstrução de uma saúde pública de qualidade ou continuar marcando passo, valorizando interesses menores e cultivando o sentimento de incapacidade que nos contaminou nos últimos oito anos?

Nos primeiros cinco meses de gestão municipal liderada pelo prefeito Claudevane Leite, avançamos na articulação com os governos estadual e federal, garantindo as condições para o “retorno da plena”.

Restituímos o diálogo com o Governo do Estado e contamos com o fundamental do Secretário Jorge Solla e sua equipe. No Ministério da Saúde encontramos apoio técnico e politico, expressado inclusive em recente reunião com o Ministro Padilha. Pavimentamos assim os caminhos para passos mais largos e definitivos.

A nível municipal, trabalhamos no sentido de atender às recomendações dos órgãos de controle e de articulação do SUS: recuperar a credibilidade da gestão municipal, ampliar o acesso da população aos serviços, estabelecer um plano de combate à dengue e recuperar o nosso Hospital de Base.

Em cinco meses, reabrimos três unidades que se encontravam fechadas, concluirmos a reforma de mais quarto que serão reinauguradas brevemente, estamos concluindo a reforma da emergência do Hospital de Base, tendo provido aquela unidade com mais de um milhão em equipamentos modernos e necessários para o atendimento de paciente graves, em parceria com o governo do estado.

Resgatamos o diálogo com os prestadores, inclusive a Santa Casa de Misericórdia, que é responsável por importantes serviços na média e na alta complexidade no âmbito regional.

Brevemente estaremos iniciando processos de construção do SAMU regional, do CAPS, das UPAS e implantando serviços importantes, como a internação domiciliar (Melhor em Casa), Consultório na Rua, Unidade de Acolhimento e Residência Terapêutica. Novas unidades básicas serão ampliadas, reformadas ou construídas.

Em parceria com a SESAB, implantaremos a central regional de regulação de leitos, que dará mais organização e transparência nas internações no âmbito regional.

O retorno da plena irá alavancar a saúde pública de Itabuna e região. Não será certamente a panacéia que resolverá todos os nossos problemas. Continuaremos a conviver com o subfinanciamento da saúde e temos um passivo considerável a corrigir. Mas a falta do comando único contribuiu para minguar a gestão, nos colocando em uma situação crescente de perda de confiança, de auto-estima e de capacidade de gestão.

Alguns mal informados acreditam que teríamos que atingir condições ideais na saúde para que pudéssemos pleitear o retorno da plena, como se elas fossem possíveis.

Mesmo municípios em que existe longa continuidade administrativa, investimentos e valorização da saúde, como Vitória da Conquista, estão longe de alcançar a situação ideal. Avanços e recuos fazem parte da história da implantação do Sistema Único de Saúde em nosso país.

Outros tantos municípios, como Salvador e Ilhéus, enfrentam grandes dificuldades de financiamento, cobertura e oferta de acesso aos serviços, sem que isso represente ameaças à perda da gestão plena. O fortalecimento do mucipalismo é sempre fundamental para a consolidação do SUS

Temos confiança de que os avanços, que ainda são tímidos, continuarão. Passados cinco meses de dificuldades financeiras, o prefeito Claudivane já acena com investimentos na saúde com recursos próprios. Uma reforma na Policlínica está sendo planejada.

No ultimo dia 12, a Câmara de Vereadores aprovou a nova lei que regulamenta o funcionamento do Conselho Municipal de Saúde. Com base nessa nova lei, atuaremos com agilidade para indicação e posse dos novos conselheiros que irão apreciar o retorno da gestão plena. Enquanto isso, técnicos do Ministério, da SESAB e de Itabuna trabalham para iniciarmos esse novo momento.

Não tenho dúvidas: a opção de Itabuna e região é pelo avanço da saúde e ampliação do acesso a serviços de qualidade.

A Itabuna que se prepara para grandes investimentos na sua infra-estrutura e saneamento e tecnologia, que receberá brevemente a sua Universidade Federal, que começa a vislumbrar a possibilidade de superar o longo período de crise do cacau e da lavoura de bruxa não pode se contentar com a realização do trabalho de Sísifo que alguns pretendem.

Renan Araújo – Secretário de Saúde de Itabuna