Ativistas invadem Instituto Royal e liberam ratos de laboratório

Ratos permaneceram no laboratório após a primeira invasão (Foto: Elisângela Marques/ G1)
Ratos permaneceram no laboratório após a
primeira invasão (Foto: Elisângela Marques/ G1)

O prédio do Instituto Royal em São Roque (SP) foi novamente invadido na madrugada desta quarta-feira (13). Segundo o delegado Marcelo Pontes, um vigia do prédio relatou à polícia que cerca de 40 pessoas chegaram ao local por volta das 3h usando máscaras e armadas com facas.

O laboratório, que usava cobaias em testes científicos, foi invadido pela primeira vez por um grupo de defensores de animais na madrugada de 18 de outubro. Na ocasião, os ativistas levaram todos os 178 cães da raça beagle que eram usados nos testes, além de sete coelhos. Cerca de 200 ratos e hamsters permaneceram no local. Recentemente, 19 dias após a invasão, o laboratório divulgou o encerramento das atividades na cidade.

O vigia disse à polícia que foi mantido refém enquanto os invasores entraram no prédio e soltaram os roedores que ainda estavam lá. O segurança relata que o grupo ainda roubou sua carteira e o telefone celular. Ninguém foi detido.

De acordo com as primeiras informações da assessoria de imprensa do Instituto Royal, os invasores quebraram vários equipamentos e levaram alguns ratos, mas ainda não se sabe precisar o número. O Instituto Royal não informa quantas pessoas ainda trabalhavam no local após o encerramento das atividades.

Fonte: G1

Gerente do Instituto Royal fala sobre a invasão em programa de TV

A gerente geral do Instituto Royal, Sílvia Ortiz, que teve os cães da raça beagle levados por ativistas no último dia 18 de outubro disse em entrevista ao programa “Conexão Repórter”, exibido na quinta-feira (31) no SBT que o instituto não é um monstro e nem assassino de animais.

Cães usados em testes no Instituto Royal (Foto:  Divulgação)
Cães usados em testes no Instituto Royal (Foto: Divulgação)

Ortiz reiterou que nenhum animal sofria maus-tratos no local, e a situação encontrada pelos ativistas, como fezes por todo o chão, foi provocada pelo estresse causado aos animais durante o tumulto da invasão.

“Entram 150 pessoas ou mais dentro desses ambientes, aos gritos, tentando resgatar os animais, tirar os animais, é claro que eles se sentiram acuados. É claro que eles defecaram e urinaram muitos mais do que estava lá. E, além de tudo, essas pessoas pisaram nas fezes. Então, é claro que o ambiente estava feio, é claro que o ambiente estava sujo, é claro que tinha urina e fezes, porque todo animal estressado tem essa fisiologia, ele urina e defeca. Ele estava acuado”, disse.

Em contrapartida, a apresentadora de TV e defensora dos animais Luisa Mell, que ajudou na que retirada de cachorros, afirma que os animais encontrados no local estavam sofrendo maus-tratos. Ao ser questionada sobre a hipótese de ter que devolver os animais, Mell disse “de jeito nenhum. Vão ter que me matar”.

Debate

Convidadas para debater frente a frente, Mell aceitou, mas Ortiz disse ser proibida pelo departamento jurídico do Instituto Royal. A gerente aceitou apenas responder às perguntas gravadas pela defensora dos animais.

Questionada sobre as condições físicas em que os animais foram encontrados, como o caso do cão Ricardinho, que estava com os dentes colados, a gerente disse que “ele teve uma briga. Cães brigam. Canis que têm muitos cães acontecem isso. Era um macho”.

Conexão Repórter na íntegra

SP: Ativistas resgatam animais no Instituto Royal e oferecem para adoção no Facebook

Na madrugada desta sexta-feira (18) dezenas de ativistas invadiram o laboratório do instituto Royal em São Roque (SP) e levaram cerca de 200 cães da raça Beagle. A manifestação foi motivada por suspeitas de maus-tratos aos bichos no local.

O instituto Royal afirmou que realiza todos os testes com animais dentro das normas e exigências da Anvisa e que a retirada dos animais do prédio prejudica o trabalho que vinha sendo realizado.

Ativistas resgatam animais no Instituto Royal (Foto) Divulgação)
Ativistas resgatam animais no Instituto Royal (Foto) Divulgação)

Páginas em redes sociais estão oferecendo para adoção os cães que foram retirados do instituto. Pode ser considerado um ato nobre e de boa vontade e amor aos animais, mas também é crime de receptação, segundo o delegado seccional de Sorocaba, Marcelo Carriel. E quem resolver adotar algum dos animais incorre no mesmo crime. [Leia mais aqui]

Veja a cronologia do caso:

22/09 – manifestantes de uma ONG organizaram ato contra testes realizados em cães da raça Beagle, em São Roque. Eles alegavam que os animais eram utilizados em experimentos para produtos farmacêuticos pelo Instituto de Pesquisa Royal.

2/10 – ativistas se acorrentaram em frente à sede da empresa como protesto. Eles prometiam ficar no local até terem uma lista de reivindicações atendidas. Representantes do laboratório conversaram com manifestantes, mas, segundo uma das organizadoras do protesto, Jane Santos, não houve acordo. “Nós conversamos com eles e fomos atendidos, tivemos um diálogo, mas eles disseram que não pretendem atender nenhuma das reivindicações, por isso continuaremos aqui, sem prazo para ir embora”, disse na ocasião.

17/10 – reunião com a presença de ativistas dos direitos dos animais, funcionários da prefeitura e representantes do laboratório foi cancelada porque a empresa informou que, por segurança, não mandaria um representante. No fim da noite, a Polícia Civil de São Roque informou que registrou um boletim de ocorrência sobre a denúncia de maus-tratos.

18/10 – o movimento ganhou adesões após boatos de que a empresa estava preparando a retirada e o sacrifício dos animais, depois que três vans e um caminhão de pequeno porte entraram no laboratório durante a tarde do dia anterior. Na madrugada, ativistas invadiram o laboratório e retiraram vários animais do local. O instituto Royal afirmou que realiza todos os testes dentro das normas e exigências da Anvisa e que a retirada dos animais do prédio prejudica o trabalho que vinha sendo realizado. Segundo o laboratório, que classificou a invasão como ato de terrorismo, a ação dos ativistas vai contra o incentivo a pesquisas no país.

Fonte: G1