Caciques do Sul da Bahia pedem audiência com o ministro da Justiça

Foto: Ilustrativa

Na terça-feira (11), quarenta caciques do Sul da Bahia fizeram um ato em frente ao Ministério da Justiça para conseguir audiência com o ministro José Eduardo Cardoso. A região é marcada por conflitos entre fazendeiros e índios que disputam por uma área de 47,3 mil hectares. “Nosso objetivo é falar com o ministro para acelerar os processos fundiários da região, onde há muitos conflitos entre índios e produtores rurais, que têm gerado mortes. Precisamos que o governo tome uma solução antes que mais sangue derrame lá por causa da situação crítica”, disse o cacique Aruã Pataxó.

A área de 47.376 hectares (1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, equivalente a um campo de futebol oficial) foi delimitada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 2009. Desde a delimitação, os tupinambás cobram que o Ministério da Justiça emita a portaria declaratória, reconhecendo-a como território tradicional indígena.

Segundo o cacique, as lideranças indígenas permanecerão no local até que sejam ouvidos. “Pedimos audiência há 30 dias com o ministro, mas até agora não teve solução. Vamos ficar aqui até que o ministro nos receba”, disse.

Índio é encontrado morto em Pau Brasil

Familiares estavam a procura de Weslei Muniz Santos, de 27 anos, desaparecido desde quinta-feira (31). Segundo informações, ele havia saído de casa e não retornou.

Um trabalhador rural estava passando por um ramal que dá acesso ao distrito de Pau Brasil, quando viu o corpo de Weslei caído em um ribanceira. Além de ver uma motocicleta dentro do rio.

O DPT [Departamento de Polícia Técnica] de Itabuna foi acionado e esteve no local para remoção do cadáver. De acordo com os peritos, não foi encontrada nenhuma lesão aparente, acredita-se que na hipótese de acidente. Weslei estaria conduzido a moto quando perdeu o controle e caiu no precipício, batendo fortemente a cabeça e ficando inconsciente. Como não houve socorro ele acabou falecendo ali mesmo. Ainda de acordo com os peritos, pela velocidade com que ele desenvolveu o impacto foi grande e a moto foi lançada no rio.

Buerarema: Força Nacional prende homem, população pensa que é índio e cerca delegacia

Na tarde desta terça-feira (10) a Força Nacional de Segurança prendeu um homem na Serra do Padeiro, em Buerarema, por porte ilegal de arma. De acordo com o delegado Francesco Santana, a população pensou que o rapaz era um índio e cercou a delegacia.

“Ele foi abordado na estrada que dá acesso à aldeia dos Tupinambás [de Olivença] e o centro de Buerarema. A comunidade, que já está exaltada, pensou que se tratava de índio e se aglomerou na porta da delegacia. Havia possibilidade de linchamento. Ele não é índio”, diz o delegado.

Francesco afirma ainda que o detido portava uma espingarda de calibre 36 – geralmente usada para caça – e alegou que não iria usar a arma para prática de crimes. “Ele falou que costuma caçar, que a arma estava desmontada e desmuniciada. Ele foi conduzido, autuado e arbitrei fiança”, aponta aponta o delegado. “Não é permitido a ninguém usar arma sem porte”, ressalta.

O coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Ednaldimar Barbosa, também afirmou que a pessoa presa é um não-índio.

Fotos: Ednaldo Pinto
Fotos: Ednaldo Pinto

“Os índios já fizeram a retomada de toda as terras [da Serra do Padeiro], só ficaram os micro-proprietários. Essa pessoa disse que estava com espingarda para caçar e foi levada. Como achavam que era um indígena, a população fez uma tentativa de linchamento”, comenta.

Índio tupinambá é morto em fazenda ocupada

Fazenda São Pedro / Reprodução: Rede Bahia
Fazenda São Pedro / Reprodução: Rede Bahia

Na terça-feira (3) um índio da comunidade Tupinambá dos Olivença foi morto em uma fazenda localizada na região da Serra das Trempes, entre as cidades de Una e Ilhéus. O caso foi confirmado pela delegada da Polícia Federal, Lívia Rodrigues, e pela coordenação regional da Fundação Nacional dos Índios (Funai).

“A Funa mandou um ofício dizendo que é índio. Ele foi morto a tiros. Ainda não se sabe como ele morreu”, aponta a delegada. A vítima foi encontrada com o rosto e o braço pintados com desenhos típicos de tribos indígenas.

Ednaldimar Barbosa, coordenador regional da Funai, afirma que o rapaz era casado e que os seus parentes estão sendo localizados. Por ser região de disputa de terra, a mobilidade das equipes é dificultada. O corpo do índio está no Departamento de Polícia Técnica (DPT) desde a terça-feira (3) e aguarda o reconhecimento da família para ser liberado.

A Polícia Federal apura a informação de que a morte ocorreu durante uma confusão entre os próprios indígenas e já colhe depoimento de testemunhas.

A Funai ressalta que essa é a versão de um fazendeiro e que os indígenas contam outra, de acordo com informações também iniciais. “Eles alegam que foi feita ação de retomada e a gente sabe que teve um não-índio ferido na região. Vinte e quatro horas depois, o grupo estava na área e foi surpreendido por uma ação de pistoleiros com sete pessoas, a mando de fazendeiros. A partir do relatório da equipe que está em campo, vai ser mais fácil. Mas a conclusão só a partir das investigações policiais”, aponta.

O não-índio ferido é um trabalhador rural identificado como Adailton do Carmo Santos, de 55 anos. Ele está internado no Hospital de Base de Itabuna após ser espancado e baleado na Fazenda São Pedro e corre risco de ficar paraplégico. A família dele acusa agressão por parte dos indígenas.

Fonte: G1