Religiosos fazem caminhada pela paz e pelo fim da intolerância em Ilhéus

Diversas religiões e instituições. Índios, negros, mulatos, pardos e brancos. E um só pedido: paz! A caminhada promovida pelos Povos de Terreiros de Ilhéus reuniu centenas de pessoas pelas ruas do bairro do Malhado, em Ilhéus, neste domingo (15).

No discurso de Mãe Carmosina, maior liderança local do candomblé, o mesmo sentimento do discurso do bispo diocesano de Ilhéus, dom Mauro Montagnolli, também presente ao encontro. O combate à intolerância religiosa deve ser a luta de todos, todos os dias, para a construção de uma sociedade que saiba aceitar as diferenças.

“Nós não devemos apenas ser tolerantes. O que precisamos é de respeito, de entender a opção do outro”, disse Carmosina.

Índios Tupinambá se misturaram aos adeptos da umbanda. Lideranças do candomblé, abraçaram padres e freis franciscanos. Integrantes da Defensoria Pública defenderam a causa, alegando que todos os dias chegam à instituição casos de intolerância religiosa e de desrespeito ao outro.

Vice-prefeito de Ilhéus, José Nazal, esteve presente à caminhada. “A construção de uma Ilhéus mais cidadã passa por encontros como este, onde o respeito às diferenças pode ser visto como maior símbolo da paz”, disse.

Na Bahia, diversas pessoas são agredidas, excluídas ou desrespeitadas por conta da religião, credo, culto ou práticas litúrgicas que escolheram seguir. São ocorrências cujo crime é previsto no artigo 208 no Código Penal Brasileiro.

Adesão – Em setembro, Ilhéus aderiu ao Fórum Estadual Permanente de Combate a Intolerância Racial. Para as autoridades baianas, a cidade tem um papel estratégico de integrar as ações de infraestrutura com direitos humanos para os segmentos tradicionais. Isso permite priorizar recursos assegurados pelo Estatuto de Promoção da igualdade Racial, lei estadual que faz a previsão dos direitos e das áreas prioritárias para atuação.

A intenção deste movimento é de fortalecer a luta, promovendo a unicidade, podendo discutir junto o racismo institucional, as cotas. Trata-se da construção dos alicerces de um debate amplo, senão cria exclusão e divisões dentro de um setor que precisa unir forças para o enfrentamento de sobrevivência, garantias de direito e de espaço na sociedade.

Com a adesão Ilhéus passou a ter duas representações com direito a voz e voto no Fórum Estadual Permanente de Combate a Intolerância Racial. Por decisão do prefeito Mário Alexandre, uma das representações será da Prefeitura. A outra deverá ser democraticamente escolhida pelo setor e por suas lideranças.

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