Médicos e civis debatem planos que cobram além da taxa mensal

Nesta quarta-feira, 25 de abril, a imprensa foi convidada à Associação Paulista de Medicina para uma entrevista coletiva na qual médicos, entidades de defesa do consumidor e representantes de outros setores da sociedade civil refutaram a possibilidade de que sejam autorizados planos de saúde que cobrem, do paciente, coparticipação ou franquias, além da mensalidade.

Estamos muito preocupados com essa caixa-preta que envolve essas modalidades e os planos ‘populares’. Essa é uma questão que merece debate nacional e fazemos questão de levar esse assunto para todos os brasileiros. Caso contrário, teremos um imbróglio que resultará em problemas seríssimos para a população”, abriu Marun David Cury, diretor de Defesa Profissional da APM.

Conforme disse, na sequência, Florisval Meinão, ex-presidente e atual diretor Administrativo da Associação, essa é uma discussão que tem sido pautada pelas supostas vantagens financeiras da introdução destes mecanismos. “Isso vem sendo liderado pelas operadoras, que têm grande interesse nesses novos elementos dentro do mercado da saúde suplementar. O debate sobre as consequências que trarão para a população não tem sido amplamente realizado e posto com clareza.”

Meinão diz ainda que os grandes prejudicados pelas novidades serão os pacientes portadores de doenças crônicas, por utilizar o sistema com certa frequência. As propostas colocadas poderão até dobrar o custo anual do plano de saúde para esse cidadão, que muito provavelmente não está preparado para tal cenário. A consequência mais lógica disso é que as pessoas deixarão de utilizar o sistema, colocando de lado o acompanhamento preventivo.

Ele lista exemplos de pacientes que poderão ser bastante prejudicados: “Os idosos, que pagaram a vida toda por seu plano sem muita utilização, e agora, com restrições financeiras, aposentados, terão de pagar ainda mais. Temos a situação de um recém-nascido, que precisa de, no mínimo, uma consulta por mês para acompanhamento. Aquelas pessoas que têm, em sua avaliação clínica, risco de doença cardiovascular e precisam ser submetidas a uma série de exames e avaliações para prevenção. E isso não está, absolutamente, contemplado. Há também o câncer de próstata, que tem mudado de panorama com os diagnósticos precoces. Além dos pacientes com risco de contraírem doenças sexualmente transmissíveis, que teriam direito a apenas um exame por ano, absolutamente insuficiente para o acompanhamento. São apenas alguns exemplos, pois a lista seria enorme.”

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