Fim da emergência em saúde pública por zika e microcefalia

Ministério da Saúde declara o fim da emergência nacional em saúde pública por zika e microcefalia no Brasil. O governo tinha declarado a situação de emergência em novembro de 2015, quando foi notado um aumento incomum dos casos de microcefalia no Nordeste. A malformação foi, posteriormente, relacionada à infecção pelo vírus da zika.

A decisão foi tomada após reunião do comitê de emergência formado pelos principais especialistas do mundo na área. A OMS recomenda que os países que enfrentam a epidemia de zika tenham outros métodos de detecção de consequências neurológicas do vírus, além da medição da cabeça dos recém-nascidos, medida já adotada pelo Brasil e que pode levar ao diagnóstico de microcefalia.

A OMS considerou que, como estava provada a relação entre o vírus e a microcefalia, ela precisava agora de um “mecanismo robusto de longo prazo para administrar a resposta global“. Para a entidade, o zika “continua sendo um desafio significativo e duradouro de saúde pública e que exige ação intensa, mas não é mais uma emergência“. Por isso, a entidade decidiu “escalar” a doença a um “programa permanente”.

A decisão foi alvo de duras críticas por parte dos cientistas que buscam uma solução para a doença. “Será que veremos uma nova onda de casos no Brasil e Colômbia?” questionou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Contagiosas. Sua entidade é uma das que tenta arrecadar recursos para bancar uma vacina. Para ele, o fim da emergência é “prematuro”, principalmente por que o verão no Brasil está prestes a começar. “Por que não esperaram alguns meses?”, criticou.

Tentando justificar sua decisão, David Heymann, presidente do Comitê de Emergência, considera que agora o vírus da zika é um problema “de longo prazo”. Foi a partir de sua gestão que, em 1º de fevereiro, a OMS declarou a emergência global.

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