Como melhorar a produtividade das empresas brasileiras?

Por Alexandre Pierro

O Brasil é um país de dimensões continentais, de muita diversidade cultural e incontáveis riquezas naturais. Mas, infelizmente, tamanha grandeza e potencial não refletem sua capacidade produtiva na indústria e no serviço. Aumentar a produtividade das nossas empresas é um chamado urgente para a transformação do país e um desafio importante a ser vencido.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a produtividade brasileira está estagnada há três décadas. Nos anos 80, ela encolheu 1,35% ao ano. Continuou a cair à média de quase 1% ao ano na década seguinte e nos anos 2000, avançou apenas 0,9% – cifra insuficiente para zerar os tombos anteriores.

E as notícias não melhoram. Segundo o mais recente levantamento do Conference Board, compilado pelo pesquisador Fernando Veloso, do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a situação da produtividade brasileira atualmente está ainda mais grave, apresentando o pior índice desde os anos 50. Para se ter uma ideia, enquanto nos Estados Unidos é possível produzir um produto com um único trabalhador, no Brasil, a mesma peça precisa de quatro pessoas para fazê-la.

Mudar esse cenário requer muita dedicação, não só do estado, mas também da classe empreendedora e dos trabalhadores. Dentro das organizações, aumentar a produtividade é uma necessidade para reduzir custos e obter maior margem de lucro. Uma das formas mais eficientes é repensar os processos. Ou seja, é preciso avaliar como as atividades estão sendo realizadas. Elas estão sendo executadas da maneira mais eficaz? Há uma forma mais barata, rápida ou melhor de produzir o mesmo produto ou serviço? São perguntas simples, mas que nem sempre são fáceis de serem respondidas.

Muitas empresas estão tão envolvidas nas rotinas operacionais que se esquecem de avaliar outras possibilidades de fazer o mesmo, ou até mais, com o mesmo, ou menos. Para mudar esse cenário, uma excelente referência a ser utilizada é a norma ISO 9.001. Em sua nova versão, publicada em setembro de 2015, o modelo de gestão utilizado é estruturado com base em uma série de requisitos que se complementam de maneira sistêmica, dentro de uma abordagem de gestão de processos e de riscos. O objetivo é auxiliar as organizações na busca por uma melhoria contínua.

Essa norma ajudou a países como a China a mudar a visão internacional da sua indústria transformadora, e hoje a China não é mais reconhecida apenas por produzir e fabricar produtos baratos e sem qualidade. Hoje nesse pais é possível adquirir produtos de altíssima qualidade, com preços muito acessíveis e tudo isso deve-se ao fato que nos últimos 20anos o governo Chinês investiu pesado na estimulação da indústria através de subsídios para a implementação de certificações ISO, como a ISO 9001.

Outro exemplo mais recente é do nosso vizinho Peru, lá o governo também está seguindo o pensamento Chinês e muito em breve teremos uma indústria Peruana transformada e renovada por conta dessa mudança de estratégia. Está na hora do Brasil ver esses exemplos e usar toda sua capacidade industrial para mudar esse cenário que vem ocorrendo desde a década de 80.

Ao contrário do que possa parecer, a implementação da norma é bastante simples. A primeira fase é de diagnóstico, que pode ser feito tanto por uma equipe interna de qualidade quanto por uma consultoria terceirizada. Nessa etapa, são identificadas as alterações necessárias para melhorar a produtividade. São apontados os ajustes necessários, bem como um cronograma para adequação dos requisitos da norma.

O cronograma varia caso a caso e leva em consideração os recursos financeiros, prazos e metas. De modo geral, a implantação de todos os itens demora entre seis e dez meses. Após esse período, a empresa passa pelo processo de acreditação junto a uma certificadora que é credenciada junto ao INMETRO, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Sem dúvida, realizar tais reflexões é um dos grandes segredos para fazer mais, utilizando menos recursos. Empresários e gestores precisam repensar a forma como gerenciam suas organizações. Mais do que ganhos financeiros, melhorar a produtividade promove importantes reflexos na satisfação dos clientes e na promoção do crescimento sustentável da empresa.

Alexandre Pierro é engenheiro mecânico, bacharel em física aplicada pela USP e fundador da PALAS, consultoria em gestão da qualidade.

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