Avançar na reconstrucão da saúde de Itabuna, ou executar eternamente o trabalho de Sisifo? Eis a questão

Uma das histórias mais interessantes que já li, na mitologia grega, foi a de Sísifo.

Sísifo, filho de um rei, era considerado um dos mortais mais astutos, mas desobedeceu as determinações de Zeus.
 Sem perdão, ele foi condenado, após sua morte, a rolar uma pedra enorme de mármore, por toda a eternidade. Essa pedra teria que ser rolada até o cume de uma montanha, mas sempre que Sísifo estava quase alcançando o topo, a pedra rolava montanha abaixo. Esse trabalho inútil e penoso passou a ser chamado de “trabalho de Sísifo”.

Após longo período de perda do comando único da gestão da saúde de Itabuna (também chamada de gestão plena), alguns desejam colocá-la numa encruzilhada: avançar na reconstrução de uma saúde pública de qualidade ou continuar marcando passo, valorizando interesses menores e cultivando o sentimento de incapacidade que nos contaminou nos últimos oito anos?

Nos primeiros cinco meses de gestão municipal liderada pelo prefeito Claudevane Leite, avançamos na articulação com os governos estadual e federal, garantindo as condições para o “retorno da plena”.

Restituímos o diálogo com o Governo do Estado e contamos com o fundamental do Secretário Jorge Solla e sua equipe. No Ministério da Saúde encontramos apoio técnico e politico, expressado inclusive em recente reunião com o Ministro Padilha. Pavimentamos assim os caminhos para passos mais largos e definitivos.

A nível municipal, trabalhamos no sentido de atender às recomendações dos órgãos de controle e de articulação do SUS: recuperar a credibilidade da gestão municipal, ampliar o acesso da população aos serviços, estabelecer um plano de combate à dengue e recuperar o nosso Hospital de Base.

Em cinco meses, reabrimos três unidades que se encontravam fechadas, concluirmos a reforma de mais quarto que serão reinauguradas brevemente, estamos concluindo a reforma da emergência do Hospital de Base, tendo provido aquela unidade com mais de um milhão em equipamentos modernos e necessários para o atendimento de paciente graves, em parceria com o governo do estado.

Resgatamos o diálogo com os prestadores, inclusive a Santa Casa de Misericórdia, que é responsável por importantes serviços na média e na alta complexidade no âmbito regional.

Brevemente estaremos iniciando processos de construção do SAMU regional, do CAPS, das UPAS e implantando serviços importantes, como a internação domiciliar (Melhor em Casa), Consultório na Rua, Unidade de Acolhimento e Residência Terapêutica. Novas unidades básicas serão ampliadas, reformadas ou construídas.

Em parceria com a SESAB, implantaremos a central regional de regulação de leitos, que dará mais organização e transparência nas internações no âmbito regional.

O retorno da plena irá alavancar a saúde pública de Itabuna e região. Não será certamente a panacéia que resolverá todos os nossos problemas. Continuaremos a conviver com o subfinanciamento da saúde e temos um passivo considerável a corrigir. Mas a falta do comando único contribuiu para minguar a gestão, nos colocando em uma situação crescente de perda de confiança, de auto-estima e de capacidade de gestão.

Alguns mal informados acreditam que teríamos que atingir condições ideais na saúde para que pudéssemos pleitear o retorno da plena, como se elas fossem possíveis.

Mesmo municípios em que existe longa continuidade administrativa, investimentos e valorização da saúde, como Vitória da Conquista, estão longe de alcançar a situação ideal. Avanços e recuos fazem parte da história da implantação do Sistema Único de Saúde em nosso país.

Outros tantos municípios, como Salvador e Ilhéus, enfrentam grandes dificuldades de financiamento, cobertura e oferta de acesso aos serviços, sem que isso represente ameaças à perda da gestão plena. O fortalecimento do mucipalismo é sempre fundamental para a consolidação do SUS

Temos confiança de que os avanços, que ainda são tímidos, continuarão. Passados cinco meses de dificuldades financeiras, o prefeito Claudivane já acena com investimentos na saúde com recursos próprios. Uma reforma na Policlínica está sendo planejada.

No ultimo dia 12, a Câmara de Vereadores aprovou a nova lei que regulamenta o funcionamento do Conselho Municipal de Saúde. Com base nessa nova lei, atuaremos com agilidade para indicação e posse dos novos conselheiros que irão apreciar o retorno da gestão plena. Enquanto isso, técnicos do Ministério, da SESAB e de Itabuna trabalham para iniciarmos esse novo momento.

Não tenho dúvidas: a opção de Itabuna e região é pelo avanço da saúde e ampliação do acesso a serviços de qualidade.

A Itabuna que se prepara para grandes investimentos na sua infra-estrutura e saneamento e tecnologia, que receberá brevemente a sua Universidade Federal, que começa a vislumbrar a possibilidade de superar o longo período de crise do cacau e da lavoura de bruxa não pode se contentar com a realização do trabalho de Sísifo que alguns pretendem.

Renan Araújo – Secretário de Saúde de Itabuna

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